MovEndo – Movimento Brasileiro de Conscientização da Endometriose vai oferecer orientações e exames

Ação acontecerá na sede da ABM no próximo dia 26


Uma das ações locais mais esperadas do MovEndo – Movimento Brasileiro de Conscientização da Endometriose, que busca fortalecer a campanha mundial Março Amarelo na Bahia, será realizada no dia 26 de março na sede da Associação Bahiana de Medicina (ABM), das 9 às 12 e das 14 às 17 horas. No último sábado do mês, 80 mulheres em idade fértil (20 a 45 anos) serão contempladas com exames diagnósticos gratuitos ou com descontos e orientações sobre a endometriose. A distribuição de senhas acontecerá na sexta-feira (25), a partir das 8 horas, na sede da ABM (Av. Baependi, 162), em Ondina.

Entre os serviços gratuitos que serão oferecidos, destacam-se: orientações sobre endometriose com ginecologista, radiologista e fertileuta (médico especialista em reprodução assistida); orientações nutricionais; orientações sobre fisioterapia pélvica; exames de glicemia; ultrassonografia (USG) para diagnóstico da endometriose, consultas médicas, encaminhamento de pacientes para o tratamento de fisioterapia na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), distribuição de camisas e de material informativo. Haverá, ainda, distribuição de senhas para agendamento de consultas com nutricionista e fertileuta ou marcação de exames de ressonância magnética e USG com valores especiais. Uma triagem será realizada no local para identificar as mulheres que precisam, de fato, da gratuidade, e aquelas que podem se valer de descontos nos procedimentos.


Endoalerta


Segundo o cirurgião ginecológico especialista em endometriose, Marcos Travessa, diretor do Centro de Endometriose da Bahia e do núcleo de ginecologia do Instituto Baiano de Cirurgia Robótica (IBCR), o objetivo da ação, iniciativa do grupo Endobaianas em parceria com o MovEndo, é propagar a conscientização sobre a endometriose, seus sintomas e tratamentos. “Com este mesmo foco, uma exposição fotográfica batizada de ‘Endoalerta’ acontece no Shopping Bela Vista entre os dias 18 e 28 de março, das 10 às 22h”, contou o especialista.

A mostra aberta ao público retrata a vida de mulheres com endometriose, com foco nos sintomas e dores, mas também na luta, união e sororidade entre elas. A arte fotográfica é fruto dos registros sensíveis do fotógrafo Mateus Cabral enquanto a maquiagem artística tem como autora a maquiadora e professora de dança do ventre, Gabriela Nery. A exposição é gratuita e conta com a direção da jornalista Cristiana Nery, assessora de comunicação do EndoBaianas, grupo de acolhimento para mulheres com endometriose.

Também no Shopping Bela Vista, o “Endoalerta Talk Show” acontecerá no dia 23 de março, a partir das 14 horas. “Quem estiver presente no local poderá participar da ação, que pretende fortalecer a conscientização promovida pelo MovEndo na Bahia. Informações sobre a ação do dia 26 na ABM podem ser solicitadas através do telefone (71) 3107-9685. Para saber mais sobre o MovEndo, interessados podem acessar o site www.movendobrasil.com.


Sobre a doença – A endometriose é causada pelo crescimento inadequado do endométrio, tecido que recobre a parte interna do útero. Diante deste aumento anormal, o tecido pode migrar e se implantar em órgãos da região pélvica, atingindo principalmente ovários, parte inferior do útero, intestino e bexiga, gerando um processo inflamatório no organismo da mulher. Segundo o cirurgião ginecológico especialista em endometriose, Marcos Travessa, as implicações da doença são variadas e preocupantes. Uma delas é o fato da endometriose ser a principal causa de infertilidade feminina. Além disso, muitas mulheres ficam acamadas e sentem dores intensas no período menstrual. Outras tantas precisam recorrentemente ir a unidades de emergência para serem medicadas. “A endometriose pode dificultar muito ou impedir que a mulher tenha uma vida sexual ativa, devido à dor durante a relação. Também por isso a inflamação precisa ser muito bem tratada”, afirmou.

O diagnóstico é feito a partir de um histórico detalhado apresentado pela paciente durante uma consulta médica, associado ao exame físico, ultrassom e/ou ressonância magnética. Não há cura para a doença, mas se a mulher se submeter ao tratamento adequado, os incômodos e consequências podem ser diminuídos drasticamente, evitando, inclusive, que a paciente tenha sua capacidade fértil comprometida. O uso de contraceptivos hormonais pode ajudar a bloquear os hormônios femininos, controlando sintomas e evitando a progressão da doença. Além disso, mudanças comportamentais como dieta anti-inflamatória, exercício físico regular e hábitos de vida saudáveis, como restrição do uso de álcool e fim do tabagismo, dentre outras medidas, são fundamentais no controle dos sintomas.

A cirurgia costuma ser o melhor caminho para a paciente que quer ter filhos e não consegue por causa da endometriose. Nos Estados Unidos, a maioria das cirurgias para tratamento da endometriose é feita na modalidade robótica, disponível na Bahia desde 2019. O robô dá ao médico uma visão ampliada e em três dimensões (3D), permite movimentos mais precisos e traz menos morbidade para as pacientes que, em geral, recebem alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento. Além de menores riscos de complicações, a cirurgia robótica, uma evolução da videolaparoscopia, caracteriza-se por menores taxas de sangramento e dor no pós-operatório e pela recuperação mais rápida.